quinta-feira, 7 de junho de 2007

A Alma Imoral





A ALMA IMORAL... (iiiiihhh !!!)

No Festival de Teatro de Curitiba deste ano eu não pude ir a muitas peças. Mas uma valeu por todas.
Foi A Alma Imoral, monólogo de Clarice Niskier, baseada no livro do rabino Nilton Bonder, no SESC da Esquina.
O texto trata de reflexões sobre o certo e o errado, a obediência e a desobediência, as fidelidades e as traições, preservação e evolução, tradição e traição.


Nilton Bonder afirma que nossa tarefa, mais do que simplesmente procriar, é também transcender a nós mesmos, romper limites. E esta transcendência muitas vezes poderia se dar de uma forma "traidora", condição vital para a continuidade da espécie. Este seria então o conceito de alma (imoral): uma força "traidora", transgressora, que nos impulsiona para o futuro e colabora com a evolução; enquanto que o corpo (moral) está relacionado ao passado e colabora com a reprodução (http://www.guiadasemana.com.br).

Tomando como exemplo o que denomina de a traição judaico-cristã, Bonder revela que o traído e traidor são uma mesma pessoa, em que residem duas naturezas conflitantes, mas ao mesmo tempo interdependentes: o corpo e a alma (http://www.submarino.com.br).
Foi em uma entrevista num programa de TV, para divulgar a peça "Buda", que Clarice encontrou o rabino Nilton Bonder, que estava lançando o livro A Alma Imoral. Em certo momento, a entrevistadora perguntou à atriz se tinha religião. Ela respondeu que tinha ascendência era judaica, mas que o teatro a havia levado ao budismo. Era uma judia budista. Foi então que Dona Léa, uma telespectadora, dizia que isso não era possível. Ou Clarice era judia ou era budista. O rabino, então, deu o livro à atriz. Disse que talvez o budismo a aproximasse do judaísmo. Clarice contou na peça que o leu rapidamente, e ele não ficou naquela pilha-purgatório de livros do "quando eu tiver tempo eu leio.
O cenário é simples e bonito. Incenso, uma meia-luz, uma cadeira, um copo d'água, Clarice ora desnuda, ora com uma túnica preta, moldada com diferentes formas, a depender do contexto.

Os espectadores podem pedir pra ela repetir, em certo momento, algum tema em específico: traição, moral, fidelidade, homem, egoísmo,etc. E o texto vem de novo, falando verdades reflexivas...
São mostradas questões e parábolas judaicas. O pai que engravidou as filhas para que o grupo procriasse, e a partir de então a etnia só se passaria pela mãe. O rabino que aconselhava o rico a consumir o que pudesse, senão se "afetaria" vários que não tivessem condições: eles iam achar que teriam que consumir menos do que fossem capazes; seriam afetadas gerações. E todo mundo murmurando as palavras-mensagem do rabino próximo à morte: "A vida é como uma xícara de chá ! A vida é como uma xícara de chá ! ... Mas por quê ?". E o rabino responde: " Ah !Tudo bem ! A vida não é como uma xícara de chá !".


Fala-se do "eu bacana" e do "eu perverso", que permitiu à atriz entregar que um empresário paulista, com o qual estava pleiteando patrocínio, teve grandes reflexões com a peça:
- E aí ele vai patrocinar a peça ?

- Não ele se permitiu tirar férias !...

Tudo bem, besteira todo mundo faz... nesse pinico de chá.


Crissss


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