terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Como eu não me importei com ninguém

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht (1898-1956)

- Vitor Caruso citou este poema numa matéria na revista beija-flor sobre a não violência.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Pernambucanidades...

Eita, danou-se!!!!!!
Só quem é PERNAMBUCANO entende!!!!!

Botão de som é pitôco;
Se é muito miúdo é pixotinho;
Se for resto é cotôco;
Tudo que é bom é massa ;
Tudo que é ruim é peba;
Rir dos outros é mangar;
Ficar cheio de não me toque,frescura é pantim;
Já faltar aula é gazear;
Colar na prova é filar;
Quem é franzino (pequeno e magro) é xôxo;
O bobo se chama leso;
E o medroso se chama frouxo;
Tá com raiva é invocado;
Vai sair, diz vou chegar;
"Caba" (homem), sem dinheiro é liso;
A moça nova é boyzinha;
Pernilongo é muriçoca;
Chicote se chama açoite;
Quem entra sem licença emburaca;
Sinal de espanto é "vôte";
Tá de fogo, tá bicado;
- Quando tá folgado, tá folote ou afolozado;
Quem tem sorte é cagado;
Pedaço de pedra é xêxo;
Quem não paga é xexêro;
O mesquinho ou sovina é amarrado, muquirana, mão de vaca, pirangueiro;
Quem dá furo(não cumpre o prometido ou compromisso) é fulero;
Gente insistente é pegajosa;
Catinga de suor é inhaca;
Mancha de pancada é roncha;
Briga pequena é arenga;
Performance ou atitude de palhaço é munganga;
Corrente com pingente é trancilim;
Pão bengala é tabica;
Desarrumado é malamanhado;
Pessoa triste é borocoxô, macambúzo;
"É mesmo" é "Iapôis";
Borracha de dinheiro é liga;
Correr atrás de alguém é dar uma carrera;
Fofoca é fuxico;
Estouro aqui se chama pipôco;
Confusão é rolo.

É assim que acontece, visse?

SER PERNAMBUCANO É...
Considerar Reginaldo Rossi Rei;
Acreditar que a Recife é mesmo a "Veneza Brasileira;
Defender o frevo, mas não fazer um passo sequer (apenas "dançar com os dedos");
Amar as pontes do Recife sem conhecer o nome de uma apenas;
Preferir botecos a fast-food;Gostar de qualquer música que fale de sertão, mangue, etc.;
Gostar de comer caranguejo;
Saber o significado das palavras "pirangueiro","pantim" e "mangar";
Achar que José Pimentel é a cara do Cristo;
Ter orgulho de dizer que o sonho de todo cearense é ser pernambucano;
Adorar bolo-de-rolo e suco de pitanga;
Ir ao Alto da Sé em Olinda apenas para ver Recife ao longe e comer tapioca;
Saber a delícia que é um bolo de bacia com caldo de cana;
Correr no Parque da Jaqueira e depois se empanturrar de caldo de cana na saída;
Jantar olhando para a lua incrivelmente linda na praia de Boa Viagem;
Achar que Recife seria melhor se os holandeses tivessem permanecido;
Admirar Mauricio de Nassau mesmo sabendo pouco sobre ele;
Conhecer a estória de Biu do Olho Verde e da Perna Cabeluda;
Freqüentar a praia em frente ao Acaiaca;
Tomar água de coco na praia;
Ficar sempre dividido entre a beleza de Porto de Galinhas e Itamaracá;
Ter saudade da Livro 7;
Saber distinguir entre o Maracatu do Baque Solto do Maracatu do Baque Virado;
Conhecer todas as músicas de Alceu Valença e Geraldinho Azevedo;
Saber quem é Lenine e que ele canta o Recife.

ACHO ATÉ QUE VOCÊ PODE TIRAR UMA PESSOA DE PERNAMBUCO, MAS NUNCA PODERÁ TIRAR PERNAMBUCO DE UMA PESSOA!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

E aí ?




Vi baleia dia desses. Lindas.
Me mudei. Tô morando num lugar melhor.
E daí ? Tenho muita coisa pra estudar, pra fazer. Como feito uma louca.
Que saco ! Muita coisa. Pouca coisa.
E depois ?
AAAAAAAAAAAAh! O griiiiiiiitoooooooooooooooooooo !

Cristiane

terça-feira, 6 de novembro de 2007

umas e outras da radical chic







Essas eu peguei do orkut da wany...



FRASES DA RADICAL CHIC...PARA SE DIVERTIR...RSSSS!

"O que adianta fazer plástica se você se lembra do governo Jango?"



"Certas dietas são simples. É só cortar açúcar, frituras, massas, molhos, bebidas alcoólicas, pães, biscoitos... e os pulsos."



"Que me despreze, me maltrate, me agrida, tudo bem. Mas não falar de mim nem pro analista, é demais."

"Dizem que estou ficando amarga, enjoada, ácida, sem graça. Não é verdade. É só colocar limão, adoçante, sexo, gelo, brilhantes e mexer gostoso, que eu fico maravilhosa!"



"Adoro quando os feirantes, os porteiros e os pedreiros do meu bairro me chamam de gostosa. É a comunidade solidária!"



"FERNANDO era lindo, sensível, carinhoso, engraçado, elegante, delicado, gostoso, honesto, companheiro, discreto... e gay."



"E aí a gente vai sair daqui, vai para um motel, aí vai transar, aí vai querer de novo, aí eu me apaixono, aí você vai dizer que não quer compromisso, aí eu vou achar você um babaca, aí a gente vai brigar, aí eu vou te odiar... Tem certeza de que ainda quer saber o meu nome?"



"Sexo seguro, pra mim, é transar com o melhor amigo."



"Faço dieta americana, uso produtos franceses, malho com um personal neozelandês, faço localizada com uma russa, e não adianta. Não consigo diminuir essa bunda brasileira."



"Terminei com o Betão. A gente se entendia superlegal, gostava das mesmas coisas, tinha tesão um no outro, se tratava com carinho, detestava o cinema iraniano... mas faltava conflito, entende?"



"Faço meditação, aeróbica, judô, musculação. Jogo xadrez, vídeo game, King e batalha-naval. Estudo antropologia, física quântica, matemática e arqueologia. Escalo montanhas, faço vôo livre, salto de pára-quedas. Leio, escrevo, toco piano, pinto e bordo. Ufa!!!!! O que a gente não faz para compensar a falta de sexo gostoso..."



"Casamento é loteria. Agora, me responda, com sinceridade: quantas vezes você já ganhou na loteria?"

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Um dia acordarás num quarto novo.
(Mário Quintana)


Um dia acordarás num quarto novo
Sem saber como foste para lá
E as vestes que acharás ao pé do leito
De tão estranhas te farão pasmar,
A janela abrirás, devagarinho:
Fará nevoeiro e tu nada verás...
Hás de tocar, a medo, a campainha
E, silenciosa, a porta se abrirá.

E um ser, que nunca viste, em um sorriso
Triste, te abraçará com seu maior carinho
E há de dizer-te para o teu assombro:
- Não te assustes de mim, que sofro há tanto!
Quero chorar - apenas - no teu ombro
E devorar teus olhos, meu amor...
"There was an old woman who swallowed a horse, and she died of course !"

domingo, 21 de outubro de 2007

Sem bateria

There I was in the Muller Shopping Centre....
Fui utilizar o serviço wireless. Dá uma estudada num lugar diferente, ler uns blogs.
Bem no café não havia nem uma tomada e eu estava sem bateria. Fiquei procurando tomada e um banco livre e... fui parar no wc. Uma servente me viu com o NB ligado, sentada no chão do banheiro. Daqui a pouco um segurança aparece e diz: "ô moça, a internet é de graça mas a energia não...".
Por essa eu a pernamboca não esperava...

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Para as férias...

Palavras de uma amiga minha do alojamento: "Que capitalismo que nada. Vou ler gibi. Nas férias a única preocupação que quero ter é com o medo que o cascão tem de tomar banho !".

Cris

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O Espelho (Machado de Assis)



Esboço de uma nova teoria da alma humana



Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundia-se misteriosamente com o luar que vinha de fora. Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo.
Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação. Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinqüenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico. Não discutia nunca; e defendia-se da abstenção com um paradoxo, dizendo que a discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança bestial; e acrescentava que os serafins e os querubins não controvertiam nada, e, aliás, eram a perfeição espiritual e eterna. Como desse esta mesma resposta naquela noite, contestou-lha um dos presentes, e desafiou-o a demonstrar o que dizia, se era capaz. Jacobina (assim se chamava ele) refletiu um instante, e respondeu:
- Pensando bem, talvez o senhor tenha razão.
Vai senão quando, no meio da noite, sucedeu que este casmurro usou da palavra, e não dois ou três minutos, mas trinta ou quarenta. A conversa, em seus meandros, veio a cair na natureza da alma, ponto que dividiu radicalmente os quatro amigos. Cada cabeça, cada sentença; não só o acordo, mas a mesma discussão tornou-se difícil, senão impossível, pela multiplicidade das questões que se deduziram do tronco principal e um pouco, talvez, pela inconsistência dos pareceres. Um dos argumentadores pediu ao Jacobina alguma opinião, - uma conjetura, ao menos.
- Nem conjetura, nem opinião, redargüiu ele; uma ou outra pode dar lugar a dissentimento, e, como sabem, eu não discuto. Mas, se querem ouvir-me calados, posso contar-lhes um caso de minha vida, em que ressalta a mais clara demonstração acerca da matéria de que se trata. Em primeiro lugar, não há uma só alma, há duas...
- Duas?
- Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para entro... Espantem-se à vontade, podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir. A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; - e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira. Shylock, por exemplo. A alma exterior aquele judeu eram os seus ducados; perdê-los equivalia a morrer. "Nunca mais verei o meu ouro, diz ele a Tubal; é um punhal que me enterras no coração." Vejam bem esta frase; a perda dos ducados, alma exterior, era a morte para ele. Agora, é preciso saber que a alma exterior não é sempre a mesma...
- Não?
- Não, senhor; muda de natureza e de estado. Não aludo a certas almas absorventes, como a pátria, com a qual disse o Camões que morria, e o poder, que foi a alma exterior de César e de Cromwell. São almas enérgicas e exclusivas; mas há outras, embora enérgicas, de natureza mudável. Há cavalheiros, por exemplo, cuja alma exterior, nos primeiros anos, foi um chocalho ou um cavalinho de pau, e mais tarde uma provedoria de irmandade, suponhamos. Pela minha parte, conheço uma senhora, - na verdade, gentilíssima, - que muda de alma exterior cinco, seis vezes por ano. Durante a estação lírica é a ópera; cessando a estação, a alma exterior substitui-se por outra: um concerto, um baile do Cassino, a rua do Ouvidor, Petrópolis...
- Perdão; essa senhora quem é?
- Essa senhora é parenta do diabo, e tem o mesmo nome; chama-se Legião... E assim outros mais casos. Eu mesmo tenho experimentado dessas trocas. Não as relato, porque iria longe; restrinjo-me ao episódio de que lhes falei. Um episódio dos meus vinte e cinco anos...
Os quatro companheiros, ansiosos de ouvir o caso prometido, esqueceram a controvérsia. Santa curiosidade! tu não és só a alma da civilização, és também o pomo da concórdia, fruta divina, de outro sabor que não aquele pomo da mitologia. A sala, até há pouco ruidosa de física e metafísica, é agora um mar morto; todos os olhos estão no Jacobina, que conserta a ponta do charuto, recolhendo as memórias. Eis aqui como ele começou a narração:
- Tinha vinte e cinco anos, era pobre, e acabava de ser nomeado alferes da Guarda Nacional. Não imaginam o acontecimento que isto foi em nossa casa. Minha mãe ficou tão orgulhosa! tão contente! Chamava-me o seu alferes. Primos e tios, foi tudo uma alegria sincera e pura. Na vila, note-se bem, houve alguns despeitados; choro e ranger de dentes, como na Escritura; e o motivo não foi outro senão que o posto tinha muitos candidatos e que esses perderam. Suponho também que uma parte do desgosto foi inteiramente gratuita: nasceu da simples distinção. Lembra-me de alguns rapazes, que se davam comigo, e passaram a olhar-me de revés, durante algum tempo. Em compensação, tive muitas pessoas que ficaram satisfeitas com a nomeação; e a prova é que todo o fardamento me foi dado por amigos... Vai então uma das minhas tias, D. Marcolina, viúva do Capitão Peçanha, que morava a muitas léguas da vila, num sítio escuso e solitário, desejou ver-me, e pediu que fosse ter com ela e levasse a farda. Fui, acompanhado de um pajem, que daí a dias tornou à vila, porque a tia Marcolina, apenas me pilhou no sítio, escreveu a minha mãe dizendo que não me soltava antes de um mês, pelo menos. E abraçava-me! Chamava-me também o seu alferes. Achava-me um rapagão bonito. Como era um tanto patusca, chegou a confessar que tinha inveja da moça que houvesse de ser minha mulher. Jurava que em toda a província não havia outro que me pusesse o pé adiante. E sempre alferes; era alferes para cá, alferes para lá, alferes a toda a hora. Eu pedia-lhe que me chamasse Joãozinho, como dantes; e ela abanava a cabeça, bradando que não, que era o "senhor alferes". Um cunhado dela, irmão do finado Peçanha, que ali morava, não me chamava de outra maneira. Era o "senhor alferes", não por gracejo, mas a sério, e à vista dos escravos, que naturalmente foram pelo mesmo caminho. Na mesa tinha eu o melhor lugar, e era o primeiro servido. Não imaginam. Se lhes disser que o entusiasmo da tia Marcolina chegou ao ponto de mandar pôr no meu quarto um grande espelho, obra rica e magnífica, que destoava do resto da casa, cuja mobília era modesta e simples... Era um espelho que lhe dera a madrinha, e que esta herdara da mãe, que o comprara a uma das fidalgas vindas em 1808 com a corte de D. João VI. Não sei o que havia nisso de verdade; era a tradição. O espelho estava naturalmente muito velho; mas via-se-lhe ainda o ouro, comido em parte pelo tempo, uns delfins esculpidos nos ângulos superiores da moldura, uns enfeites de madrepérola e outros caprichos do artista. Tudo velho, mas bom...
- Espelho grande?
- Grande. E foi, como digo, uma enorme fineza, porque o espelho estava na sala; era a melhor peça da casa. Mas não houve forças que a demovessem do propósito; respondia que não fazia falta, que era só por algumas semanas, e finalmente que o "senhor alferes" merecia muito mais. O certo é que todas essas coisas, carinhos, atenções, obséquios, fizeram em mim uma transformação, que o natural sentimento da mocidade ajudou e completou. Imaginam, creio eu?
- Não.
- O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado. Custa-lhes acreditar, não?
- Custa-me até entender, respondeu um dos ouvintes.
- Vai entender. Os fatos explicarão melhor os sentimentos: os fatos são tudo. A melhor definição do amor não vale um beijo de moça namorada; e, se bem me lembro, um filósofo antigo demonstrou o movimento andando. Vamos aos fatos. Vamos ver como, ao tempo em que a consciência do homem se obliterava, a do alferes tornava-se viva e intensa. As dores humanas, as alegrias humanas, se eram só isso, mal obtinham de mim uma compaixão apática ou um sorriso de favor. No fim de três semanas, era outro, totalmente outro. Era exclusivamente alferes. Ora, um dia recebeu a tia Marcolina uma notícia grave; uma de suas filhas, casada com um lavrador residente dali a cinco léguas, estava mal e à morte. Adeus, sobrinho! adeus, alferes! Era mãe extremosa, armou logo uma viagem, pediu ao cunhado que fosse com ela, e a mim que tomasse conta do sítio. Creio que, se não fosse a aflição, disporia o contrário; deixaria o cunhado e iria comigo. Mas o certo é que fiquei só, com os poucos escravos da casa. Confesso-lhes que desde logo senti uma grande opressão, alguma coisa semelhante ao efeito de quatro paredes de um cárcere, subitamente levantadas em torno de mim. Era a alma exterior que se reduzia; estava agora limitada a alguns espíritos boçais. O alferes continuava a dominar em mim, embora a vida fosse menos intensa, e a consciência mais débil. Os escravos punham uma nota de humildade nas suas cortesias, que de certa maneira compensava a afeição dos parentes e a intimidade doméstica interrompida. Notei mesmo, naquela noite, que eles redobravam de respeito, de alegria, de protestos. Nhô alferes, de minuto a minuto; nhô alferes é muito bonito; nhô alferes há de ser coronel; nhô alferes há de casar com moça bonita, filha de general; um concerto de louvores e profecias, que me deixou extático. Ah ! pérfidos! mal podia eu suspeitar a intenção secreta dos malvados.
- Matá-lo?
- Antes assim fosse.
- Coisa pior?
- Ouçam-me. Na manhã seguinte achei-me só. Os velhacos, seduzidos por outros, ou de movimento próprio, tinham resolvido fugir durante a noite; e assim fizeram. Achei-me só, sem mais ninguém, entre quatro paredes, diante do terreiro deserto e da roça abandonada. Nenhum fôlego humano. Corri a casa toda, a senzala, tudo; ninguém, um molequinho que fosse. Galos e galinhas tão-somente, um par de mulas, que filosofavam a vida, sacudindo as moscas, e três bois. Os mesmos cães foram levados pelos escravos. Nenhum ente humano. Parece-lhes que isto era melhor do que ter morrido? era pior. Não por medo; juro-lhes que não tinha medo; era um pouco atrevidinho, tanto que não senti nada, durante as primeiras horas. Fiquei triste por causa do dano causado à tia Marcolina; fiquei também um pouco perplexo, não sabendo se devia ir ter com ela, para lhe dar a triste notícia, ou ficar tomando conta da casa. Adotei o segundo alvitre, para não desamparar a casa, e porque, se a minha prima enferma estava mal, eu ia somente aumentar a dor da mãe, sem remédio nenhum; finalmente, esperei que o irmão do tio Peçanha voltasse naquele dia ou no outro, visto que tinha saído havia já trinta e seis horas. Mas a manhã passou sem vestígio dele; à tarde comecei a sentir a sensação como de pessoa que houvesse perdido toda a ação nervosa, e não tivesse consciência da ação muscular. O irmão do tio Peçanha não voltou nesse dia, nem no outro, nem em toda aquela semana. Minha solidão tomou proporções enormes. Nunca os dias foram mais compridos, nunca o sol abrasou a terra com uma obstinação mais cansativa. As horas batiam de século a século no velho relógio da sala, cuja pêndula tic-tac, tic-tac, feria-me a alma interior, como um piparote contínuo da eternidade. Quando, muitos anos depois, li uma poesia americana, creio que de Longfellow, e topei este famoso estribilho: Never, for ever! - For ever, never! confesso-lhes que tive um calafrio: recordei-me daqueles dias medonhos. Era justamente assim que fazia o relógio da tia Marcolina: - Never, for ever!- For ever, never! Não eram golpes de pêndula, era um diálogo do abismo, um cochicho do nada. E então de noite! Não que a noite fosse mais silenciosa. O silêncio era o mesmo que de dia. Mas a noite era a sombra, era a solidão ainda mais estreita, ou mais larga. Tic-tac, tic-tac. Ninguém, nas salas, na varanda, nos corredores, no terreiro, ninguém em parte nenhuma... Riem-se?
- Sim, parece que tinha um pouco de medo.
- Oh! fora bom se eu pudesse ter medo! Viveria. Mas o característico daquela situação é que eu nem sequer podia ter medo, isto é, o medo vulgarmente entendido. Tinha uma sensação inexplicável. Era como um defunto andando, um sonâmbulo, um boneco mecânico. Dormindo, era outra coisa. O sono dava-me alívio, não pela razão comum de ser irmão da morte, mas por outra. Acho que posso explicar assim esse fenômeno: - o sono, eliminando a necessidade de uma alma exterior, deixava atuar a alma interior. Nos sonhos, fardava-me orgulhosamente, no meio da família e dos amigos, que me elogiavam o garbo, que me chamavam alferes; vinha um amigo de nossa casa, e prometia-me o posto de tenente, outro o de capitão ou major; e tudo isso fazia-me viver. Mas quando acordava, dia claro, esvaía-se com o sono a consciência do meu ser novo e único -porque a alma interior perdia a ação exclusiva, e ficava dependente da outra, que teimava em não tornar... Não tornava. Eu saía fora, a um lado e outro, a ver se descobria algum sinal de regresso. Soeur Anne, soeur Anne, ne vois-tu rien venir? Nada, coisa nenhuma; tal qual como na lenda francesa. Nada mais do que a poeira da estrada e o capinzal dos morros. Voltava para casa, nervoso, desesperado, estirava-me no canapé da sala. Tic-tac, tic-tac. Levantava-me, passeava, tamborilava nos vidros das janelas, assobiava. Em certa ocasião lembrei-me de escrever alguma coisa, um artigo político, um romance, uma ode; não escolhi nada definitivamente; sentei-me e tracei no papel algumas palavras e frases soltas, para intercalar no estilo. Mas o estilo, como tia Marcolina, deixava-se estar. Soeur Anne, soeur Anne... Coisa nenhuma. Quando muito via negrejar a tinta e alvejar o papel.
- Mas não comia?
- Comia mal, frutas, farinha, conservas, algumas raízes tostadas ao fogo, mas suportaria tudo alegremente, se não fora a terrível situação moral em que me achava. Recitava versos, discursos, trechos latinos, liras de Gonzaga, oitavas de Camões, décimas, uma antologia em trinta volumes. As vezes fazia ginástica; outra dava beliscões nas pernas; mas o efeito era só uma sensação física de dor ou de cansaço, e mais nada. Tudo silêncio, um silêncio vasto, enorme, infinito, apenas sublinhado pelo eterno tic-tac da pêndula. Tic-tac, tic-tac...
- Na verdade, era de enlouquecer.
- Vão ouvir coisa pior. Convém dizer-lhes que, desde que ficara só, não olhara uma só vez para o espelho. Não era abstenção deliberada, não tinha motivo; era um impulso inconsciente, um receio de achar-me um e dois, ao mesmo tempo, naquela casa solitária; e se tal explicação é verdadeira, nada prova melhor a contradição humana, porque no fim de oito dias deu-me na veneta de olhar para o espelho com o fim justamente de achar-me dois. Olhei e recuei. O próprio vidro parecia conjurado com o resto do universo; não me estampou a figura nítida e inteira, mas vaga, esfumada, difusa, sombra de sombra. A realidade das leis físicas não permite negar que o espelho reproduziu-me textualmente, com os mesmos contornos e feições; assim devia ter sido. Mas tal não foi a minha sensação. Então tive medo; atribuí o fenômeno à excitação nervosa em que andava; receei ficar mais tempo, e enlouquecer. - Vou-me embora, disse comigo. E levantei o braço com gesto de mau humor, e ao mesmo tempo de decisão, olhando para o vidro; o gesto lá estava, mas disperso, esgaçado, mutilado... Entrei a vestir-me, murmurando comigo, tossindo sem tosse, sacudindo a roupa com estrépito, afligindo-me a frio com os botões, para dizer alguma coisa. De quando em quando, olhava furtivamente para o espelho; a imagem era a mesma difusão de linhas, a mesma decomposição de contornos... Continuei a vestir-me. Subitamente por uma inspiração inexplicável, por um impulso sem cálculo, lembrou-me... Se forem capazes de adivinhar qual foi a minha idéia...
- Diga.
- Estava a olhar para o vidro, com uma persistência de desesperado, contemplando as próprias feições derramadas e inacabadas, uma nuvem de linhas soltas, informes, quando tive o pensamento... Não, não são capazes de adivinhar.
- Mas, diga, diga.
- Lembrou-me vestir a farda de alferes. Vesti-a, aprontei-me de todo; e, como estava defronte do espelho, levantei os olhos, e...não lhes digo nada; o vidro reproduziu então a figura integral; nenhuma linha de menos, nenhum contorno diverso; era eu mesmo, o alferes, que achava, enfim, a alma exterior. Essa alma ausente com a dona do sítio, dispersa e fugida com os escravos, ei-la recolhida no espelho. Imaginai um homem que, pouco a pouco, emerge de um letargo, abre os olhos sem ver, depois começa a ver, distingue as pessoas dos objetos, mas não conhece individualmente uns nem outros; enfim, sabe que este é Fulano, aquele é Sicrano; aqui está uma cadeira, ali um sofá. Tudo volta ao que era antes do sono. Assim foi comigo. Olhava para o espelho, ia de um lado para outro, recuava, gesticulava, sorria e o vidro exprimia tudo. Não era mais um autômato, era um ente animado. Daí em diante, fui outro. Cada dia, a uma certa hora, vestia-me de alferes, e sentava-me diante do espelho, lendo olhando, meditando; no fim de duas, três horas, despia-me outra vez. Com este regime pude atravessar mais seis dias de solidão sem os sentir...
Quando os outros voltaram a si, o narrador tinha descido as escadas.


Às 15:10

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Sem camelô !

Morri de rir um dia desses porque uma amiga minha do interior de SP (quase Mato Grosso) disse que qd veio pra Curitiba, pra uma "cidade grande", doida por um camelô e Curitiba não tem camelô !
Pois é, a maioria está concentrada numa espécie de mercado mesmo. Outros poucos existem isoladamente. Mais barraquinhas na verdade.
Sem camelô.

domingo, 9 de setembro de 2007

Domingo

Domingo é um dia como qualquer outro ? Huummm.
Sempre uma importante missão: se livrar do quase tédio das seis da tarde, da musiquinha daquele programa da TV (que tá me fazendo falta porque não tenho hehe).
Eis mais um domingo, com trabalho, com estudo e sem prai a porque cheguei em casa de manhã.

Criss

domingo, 2 de setembro de 2007

Dilema

Essa eu tirei da ruadajudiria.com


Quanto mais me
afasto da loucura
na direcção do equilíbrio
e da razão,
mais me aproximo
da berma da loucura.
Devo surpreender-me:
mercador de paradoxos,
aliado da dialéctica?
Tremo com intimidações –
não de imortalidade.
Ou mudas, dizem eles,
ou morres de sanidade.

Nissim Ezekiel (1924-2004), poeta e dramaturgo. Judeu indiano.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Trechos de Propagandas

"...na Revista da TV... você pode ver... quem tá junto, quem tá separado... Tá td aqui. E a Revista da TV, não pode ser vista separadamente não, hein ! Ela vem junto com o seu Jornal do Commercio, aos domingos."

"Tem gente que precisa usar óculos de grau mas não usa... A visão é uma... quem sempre teve não sabe o que é perdê-la. ...diz que é feio, que incomoda, que machuca. Eu, por exemplo, não preciso usar óculos de grau... mas não conta pra ninguém !" - Casa Lux Ótica

"Fita cassete comum deixa a gente muito feliz... na hora da compra." - Basf - com a Virginie (?), vocalista da banda Metrô


Criss

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

A alma Imoral

Comprei o livro do Nilton Bonder. Estou cá me debatendo com o correto e o bom.
Ah! Mas eu quero fazer o que é bom...

Cris

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Vacapitalismo

Essa eu vi no http://www.outras-bossas.blogspot.com/

Entendendo um pouco mais sobre capitalismo:

CAPITALISMO IDEAL: Você tem duas vacas. Vende uma e compra um touro. Eles se multiplicam, e a economia cresce. Você vende o rebanho e aposenta-se, rico!
CAPITALISMO AMERICANO (OLD ECONOMY): Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela morre.
CAPITALISMO AMERICANO (NEW ECONOMY): Você tem duas vacas. Vende três para a sua companhia de capital aberto usando garantias de crédito emitidas por seu cunhado. Depois faz uma troca de dívidas por ações por meio de uma oferta geral associada, de forma que você consegue todas as quatro vacas de volta, com isenção fiscal para cinco vacas. Os direitos do leite das seis vacas são transferidos para uma companhia das Ilhas Cayman, da qual o sócio majoritário é secretamente o dono. Ele vende os direitos das sete vacas novamente para a sua companhia. O relatório anual diz que a companhia possui oito vacas, com uma opção para mais uma. Você vende uma vaca para comprar um novo presidente dos Estados Unidos e fica com nove vacas.Ninguém fornece balanço das operações e o público compra o seu esterco.
CAPITALISMO FRANCÊS: Você tem duas vacas. Entra em greve porque quer três.
CAPITALISMO CANADENSE: Você tem duas vacas. Usa o modelo do capitalismo americano. As vacas morrem. Você acusa o protecionismo brasileiro e adota medidas protecionistas para ter as três vacas do capitalismo francês.
CAPITALISMO JAPONÊS: Você tem duas vacas. Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria animés de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.
CAPITALISMO BRITÂNICO: Você tem duas vacas. As duas são loucas.
CAPITALISMO HOLANDÊS: Você tem duas vacas. Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.
CAPITALISMO ALEMÃO: Você tem duas vacas. Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.
CAPITALISMO RUSSO: Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Conta de novo e vê que tem 12 vacas. Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.
CAPITALISMO SUIÇO: Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua. Você cobra para guardar a vaca dos outros.
CAPITALISMO ESPANHOL: Você tem muito orgulho de ter duas vacas.
CAPITALISMO PORTUGUÊS: Você tem duas vacas. E reclama porque seu rebanho não cresce...
CAPITALISMO CHINÊS: Você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas. Você se gaba de ter pleno emprego e alta produtividade. E prende o ativista que divulgou os números.
CAPITALISMO HINDU: Você tem duas vacas. Ai de quem tocar nelas.
CAPITALISMO ARGENTINO: Você tem duas vacas descendentes da mais pura linhagem das vacas européias de alta produtividade, mas que não querem saber de produzir leite. Você se esforça para vender as vacas, com preço fixado em Dólares, mas ninguém quer comprar. Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano do FMI. (n. da r. - esta piada data da era pré-Kirchner. Mas continua bene trovata... agora, a que se segue não mudou nem um pouco!) CAPITALISMO BRASILEIRO: Você tem duas vacas. Uma delas é roubada. O governo cria a CCPV- Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca. Um fiscal vem e te autua, porque embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presumia que você tivesse 200 vacas _ e para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo...
Crisss

terça-feira, 10 de julho de 2007

Sapoti



Fiquei de queixo caído um dia desses porque vi por aqui um saquinho com alguns sapotis por uns treze reais.
Sapoti tinha aos montes no Colégio de São Bento (entra burro e sai jumento hehe) lá em Olinda.
Acho que tb perto da casa da minha vó, que tb tinha muita carambola, que tb tem um preço meio louco aqui hehe.
Essa palavra tem uma sonoridade bonita... Sa-po-ti.

Cris

domingo, 8 de julho de 2007

Dia do Exagero

Como ficar saciado ? Saciado de quê ?
Uma amiga minha daqui de Curitiba uma vez por mês faz com a filha o "Dia do Exagero".
Vale tudo, brigadeiro gigante com duas latas de leite condensado, massa em excesso e etc. etc.
É bom uma trelinha de vez em quando hehehe.

Cristiane

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Sem Tempero

Uma antiga propaganda... não lembro de quê...


Sem tempero.

Sem colesterol.

Sem sal.

Sem açúcar.

Sem fritura.

Sem sexo.

O que sobrou pra se fazer sem culpa ?

domingo, 10 de junho de 2007

O Elefante


Quem lembra do Elefante ? Acho que foi 1982 .... Música muito lindinha.


O Elefante
Robertinho de Recife
Composição: Robertinho de Recife e Fausto Nilo
Vocal: Emilinha

Como criança que vai viajar

Acordei cedo e vi você sonhar
Uma ciranda doce pelo ar

E a natureza foi se balançar

A fantasia me faz delirar

Que foi que eu disse?

Eu cantei sem pensar

É uma doidice que essa dança dá


De que país vem esse carnaval
Se o oriente nasce em meu quintal
E um sol mais quente brilha muito mais
E um corpo quente que alegria traz
Ô Papa Kid cadê meu ganzá?
Do Congo-Belga que eu mandei buscar
Essa guitarra grita muito mais
Essa guitarra grita muito mais

Um elefante brinca muito mais
Se uma menina vai correndo atrás
Que foi que eu fiz? Foi te fazer feliz
Que foi que eu fiz? Foi te fazer chorar
Será dificil alguem pronunciar
A melodia que essa letra dá
Na fala dela, linda é Aliá
Na fala dela, linda é Aliá

Se a natureza não me abandonar
No meu reinado você reinará
Tarzan dormindo no canavial
Tantor fazendo amor no bambual
Como a Colúmbia fosse viajar
Numa ciranda doce pelo ar
Acordei cedo e vi você sonhar
Como criança que vai viajar

http://robertinho-de-recife.letras.terra.com.br/letras/442652/clipes-videos.html

Cristiane

sábado, 9 de junho de 2007

Na casa da Maristela

Estou na casa da Maristela.
Ela tem tudo no quarto dela, uma mini-casa. Um desafio para qualquer arquiteto ! kkkk
Está construindo uma casa ao lado. Bem moderna.
Fantastic.

Cris

quinta-feira, 7 de junho de 2007

A Alma Imoral





A ALMA IMORAL... (iiiiihhh !!!)

No Festival de Teatro de Curitiba deste ano eu não pude ir a muitas peças. Mas uma valeu por todas.
Foi A Alma Imoral, monólogo de Clarice Niskier, baseada no livro do rabino Nilton Bonder, no SESC da Esquina.
O texto trata de reflexões sobre o certo e o errado, a obediência e a desobediência, as fidelidades e as traições, preservação e evolução, tradição e traição.


Nilton Bonder afirma que nossa tarefa, mais do que simplesmente procriar, é também transcender a nós mesmos, romper limites. E esta transcendência muitas vezes poderia se dar de uma forma "traidora", condição vital para a continuidade da espécie. Este seria então o conceito de alma (imoral): uma força "traidora", transgressora, que nos impulsiona para o futuro e colabora com a evolução; enquanto que o corpo (moral) está relacionado ao passado e colabora com a reprodução (http://www.guiadasemana.com.br).

Tomando como exemplo o que denomina de a traição judaico-cristã, Bonder revela que o traído e traidor são uma mesma pessoa, em que residem duas naturezas conflitantes, mas ao mesmo tempo interdependentes: o corpo e a alma (http://www.submarino.com.br).
Foi em uma entrevista num programa de TV, para divulgar a peça "Buda", que Clarice encontrou o rabino Nilton Bonder, que estava lançando o livro A Alma Imoral. Em certo momento, a entrevistadora perguntou à atriz se tinha religião. Ela respondeu que tinha ascendência era judaica, mas que o teatro a havia levado ao budismo. Era uma judia budista. Foi então que Dona Léa, uma telespectadora, dizia que isso não era possível. Ou Clarice era judia ou era budista. O rabino, então, deu o livro à atriz. Disse que talvez o budismo a aproximasse do judaísmo. Clarice contou na peça que o leu rapidamente, e ele não ficou naquela pilha-purgatório de livros do "quando eu tiver tempo eu leio.
O cenário é simples e bonito. Incenso, uma meia-luz, uma cadeira, um copo d'água, Clarice ora desnuda, ora com uma túnica preta, moldada com diferentes formas, a depender do contexto.

Os espectadores podem pedir pra ela repetir, em certo momento, algum tema em específico: traição, moral, fidelidade, homem, egoísmo,etc. E o texto vem de novo, falando verdades reflexivas...
São mostradas questões e parábolas judaicas. O pai que engravidou as filhas para que o grupo procriasse, e a partir de então a etnia só se passaria pela mãe. O rabino que aconselhava o rico a consumir o que pudesse, senão se "afetaria" vários que não tivessem condições: eles iam achar que teriam que consumir menos do que fossem capazes; seriam afetadas gerações. E todo mundo murmurando as palavras-mensagem do rabino próximo à morte: "A vida é como uma xícara de chá ! A vida é como uma xícara de chá ! ... Mas por quê ?". E o rabino responde: " Ah !Tudo bem ! A vida não é como uma xícara de chá !".


Fala-se do "eu bacana" e do "eu perverso", que permitiu à atriz entregar que um empresário paulista, com o qual estava pleiteando patrocínio, teve grandes reflexões com a peça:
- E aí ele vai patrocinar a peça ?

- Não ele se permitiu tirar férias !...

Tudo bem, besteira todo mundo faz... nesse pinico de chá.


Crissss


quarta-feira, 30 de maio de 2007

Anos sessenta














Que legal !
Grandes nomes da música popular brasileira estão por volta dos sessenta anos.
João Bosco, Joyce, João Donato, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Francis Hime, Chico Buarque e tantos outros.
Altas produções.
Em 2006, João Bosco completou 60 anos. São mais de trinta anos de uma carreira.
J.Bosco gravou o primeiro DVD - Obrigado, Gente! -, com um repertório feito de memoráveis clássicos (sambas da década de 70, parcerias com Aldir Blanc, sucessos românticos dos anos 80/90, como "Desenho de Giz", "Papel Maché", etc.).


Francis Hime, uma orquestra em pessoa, que vem bastante a Curitiba, ultimamente lançou Brasil lua cheia (CD/DVD) - 2003 - Biscoito fino; álbum musical - 2004; Arquitetura da flor - 2006; Francis Hime ao vivo (CD/DVD) - 2007, todos pelo selo Biscoito Fino, de Olívia Hime.

Joyce teve início de carreira em 1968: lançou pela Philips seu primeiro LP, "Joyce", produzido por Armando Pittigliani. No repertório, cinco músicas suas e mais seis inéditas de autores amigos seus, tão ou quase tão iniciantes quanto ela: Paulinho da Viola, Marcos Valle, Francis Hime, Caetano Veloso, Jards Macalé, Toninho Horta e Ronaldo Bastos. Uma das principais cantoras e compositoras da mpb, apaixonada pela bossa nova, inscreveu Clareana no Festival da Globo. Reconhecida, teve Feminina incluída na trilha sonora do seriado Malu Mulher , com Regina Duarte. Segundo Carô Murgel, nenhum outro seria mais apropriado. Malu contava a história da mulher que chegava aos anos 80 - da mulher independente e combativa - tal qual Joyce (http://www.mpbnet.com.br/musicos/joyce/). Em 2005 lançou Rio-Bahia com Dori Caymmi e também seu DVD- Banda Maluca ao Vivo.
E muitos outros e muitos outros. Depois chegamos lá (neles).
Cris








sábado, 14 de abril de 2007

Cinema

Estive pensando...
Realmente cinema é o meu IDH (Indice de Desenvolvimento Humano).
Em cidades com poucos cinemas eu não moro.
Só por uma causa muito nobre.
Tem que ter espaço para os comerciais e os alternativos, os filmes de arte.

Crisss

Charles Picker, o amigo de Bandeira

Respira a hora livre de todo peso
Ri em suave luz a montanha
Rubros e luxuriantes pendem os frutos
Da árvore onde um dia só havia flores pálidas
E mesmo em sonho sorrir
Como que murmurando: basta !
Nada roubaste hoje amigo aos deuses imortais ?
Pobre perdulário.
Então os deuses te roubaram o dia !
Mas infinito é o oceano da grande memória
E nele mais docemente do que a vaga e o vento
Afundam irrecuperáveis tesouros

Charles Picker

Rei do espaço infinito

"Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito"

Hamlet
Shakespeare

quinta-feira, 5 de abril de 2007

quando surge um novo paradigma

Num curso de voluntário ambiental que fiz no IBAMA fui sorteada com a seginte mensagem:

"Os pioneiros de um novo paradigma têm que ser corajosos, porque ainda não há provas de que é assim - do novo jeito - que se deve fazer. As primeiras feministas, por exemplo, só sabiam que o modelo anterior não servia. Então, a decisão de abraçar um novo paradigma deve ser tomada com fé e exige coragem e confiança nas novas idéias".

Maria José de Vasconcelos Papirus Cellos

quinta-feira, 29 de março de 2007

amor barato amor barato amor

Amor Barato Francis Hime - Chico Buarque/1981

Eu queria ser

Um tipo de compositor
Capaz de cantar nosso amor
Modesto

Um tipo de amor
Que é de mendigar cafuné
Que é pobre e às vezes nem é
Honesto

Pechincha de amor
Mas que eu faço tanta questão
Que se tiver precisão
Eu furto

Vem cá, meu amor
Agüenta o teu cantador
Me esquenta porque o cobertor é curto

Mas levo esse amor
Com o zelo de quem leva o andor
Eu velo pelo meu amor
Que sonha

Que enfim, nosso amor
Também pode ter seu valor
Também é um tipo de flor
Que nem outro tipo de flor

Dum tipo que tem
Que não deve nada a ninguém
Que dá mais que maria-sem-vergonha

Eu queria ser
Um tipo de compositor
Capaz de cantar nosso amor
Barato

Um tipo de amor
Que é de esfarrapar e cerzir
Que é de comer e cuspir
No prato

Mas levo esse amor
Com o zelo de quem leva o andor
Eu velo pelo meu amor
Que sonha

Que enfim, nosso amor
Também pode ter seu valor
Também é um tipo de flor
Que nem outro tipo de flor

Dum tipo que tem
Que não deve nada a ninguém
Que dá mais que maria-sem-vergonha

quarta-feira, 21 de março de 2007

Esse poema e esse poeta são cambalhotas em Saturno !!!

O Poeta começa o Dia
Mário Quintana

Pela janela atiro meus sapatos, meu ouro, minha alma
ao meio da rua.
Como Harum-al-Raschid, eu saio incógnito, feliz de
desperdício...
Me espera o ônibus, o horário, a morte -- que importa?
Eu sei me teleportar: estou agora
Em um Mercado Estelar ...
E olha!
Acabo de trocar-- em meio aos ruidos da rua
alheio aos risos da rua
--todas as jubas do Sol
por uma trança da Lua!

Adooooro... eu sei me teleportar... mercado estelar... todas as jubas do sol por uma trança da lua.. Eu não sei Harum ...

Crissssstiane

terça-feira, 20 de março de 2007

Céu do Brasil

Céu do Brasil
Nouvelle

Não sei se é nuvem
Talvez fosse miragem
A sombra do seu rosto
Na luz dessa paisagem

Não sei se foi beijo
Talvez só fosse a imagem
Da tarde refletida
No largo da saudade

Enquanto a noite avança
Nesse quarto vazio
Silêncio estou sonhando
Com o céu do Brasil

E agora vc chega
Com esse cheiro de flor
De amor a terra tece

E tudo acontece
E tudo é de verdade
De baixo das cobertas
Acima da cidade

liiindo.... apesar de ter alguns errinhos na letra...
bjs no céu do brasil
Cristiane

segunda-feira, 12 de março de 2007

hai-kai da rosa

HAI-KAI
Mário Quintana

Rosa suntuosa e simples,
Como podes estar tão vestida
E ao mesmo tempo inteiramente nua?

quarta-feira, 7 de março de 2007

Urbanoptecus

ser urbano
esse é meu plano
muito silêncio
não é pra mim
só o meu silêncio
sim

segunda-feira, 5 de março de 2007

Fica susse

Das várias gírias do Sul que aprendi " fica susse" foi a que mais gostei.
Isso mesmo, "fica susse" quer dizer fica sossegado, fica relax. Tem também as variações: é bem susse, td susse, super susse e aí vai.

Diferentes daquelas que já tinha ouvido:
- guri - garoto, menino; o Brasil todo já sabe;
- piá - sinônimo de guri, bem sulista também;
- Capaz ! - no Nordeste a gente também fala "bem capaz !"

E pra minha surpresa, caatinga, que em Pernambuco e demais estados não é só o ecossistema, também quer dizer "fedor, fedorento", já foi dito por uns paulistas por aqui. Assim como maloqueiro. Isto deve ser fruto da TV e dos movimentos culturais que fizeram os estados ficarem mais próximos uns dos outros. Já escutei até "virge maria", hehe.

Mas os curitibanos são conhecidos mesmo pela ê fechado com aquela piadinha: "lêiti quienti faz mal pro dênti, principamienti pro dênti da frênti". É um sotaque bonito e diferente, mas pra salada de sotaques que já tenho, fica artificial, nem pego tanto.

Eu gosto mesmo é de ficar susse.

Crissssssssss




domingo, 4 de março de 2007

Cambalhotas em Saturno - Início

Já pensou que delícia andar e pular pelos anéis de Saturno ?

Cambalhotas por vários lugares e por vários mundos: cosmos, meio ambiente, parapsiquismo, espiritualidade, entretenimento, projeção astral, amizade, atualidades, música, ciência, empreendedorismo social, comportamento e vida, e isso, e mais, e mais, e maaaaais e Pitacologia
Estou iniciando a cambalhota. Espero que seja uma bela acrobacia.

Um abraço e que tudo camablhote bem.

Crissssssssssssss